Quarta-feira, 12 de Maio de 2004

Livros

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- Continuam a faltar-te livros neste quarto. Talvez, seja por o teu quarto ser tão vazio, que a tua vida também seja. Se o encheres com livros estarás a encher o teu quarto com pessoas, vidas, historias, magia, ficção, realidade, sonhos, tristeza, alegria (ela continuava a enumerar sonhadoramente tudo o que um livro poderia trazer ao quarto de Diogo. Parecia mesmo que a cada descrição ela via o quarto encher-se de fantasia e magia).
Diogo sorriu-lhe concordando. Nunca teria pensado nisso e talvez tivesse razão. Pegou na sua mão e levou-a para baixo pedindo-lhe para fechar os olhos ao entrar numa grande sala, com uma secretária ao fundo, uma lareira enorme e com alguns sofás espalhados perfeitamente pela divisão. Completando finalmente a decoração, estavam as paredes cobertas de livros que se espalhavam por estantes.
- Sinto esta sala completa, cheia de vida, de alegria, de tudo aquilo que o teu quarto precisa. Porque está toda estava vida enclausurada aqui? – Perguntou ela de olhos fechados, rodando sobre si mesma. – Deverias espalhar os livros por toda a casa, para assim não sentires o peso de tanto vazio. É uma boa maneira de enganar a solidão. – e então abriu os olhos sorrindo, olhando para cada livro com uma expressão de alegria infantil expressa na cara.
Diogo sentou-se num sofá enquanto ela percorria todas as estantes.
- Um vicio do meu avô. Todos os dias compra um livro, de qualquer tipo. Não se importa com o conteúdo, ele lê de tudo…
- O teu avô é um homem cheio. Nada nele é vazio. Deverias aprender com ele.
- Deixa-me dizer-te uma coisa. Senta-te aqui. – E enquanto ela se sentava, ele pegava num livro que estava pousado na mesinha ao lado do sofá “Brida” e abriu-o. – “…construir ou plantar. Os construtores podem demorar anos nas suas tarefas, mas um dia terminam aquilo que andaram a fazer. Então param, e ficam limitados pelas suas próprias paredes. A vida perde o sentido quando a construção acaba.
Mas existem os que plantam. Estes, às vezes, sofrem com as tempestades, as estações, e raramente descansam. Mas, ao contrario de um edifício, o jardim nunca para de crescer. E, ao mesmo tempo que exige a atenção do jardineiro, também permite que, para ele, a vida seja uma grande aventura.
Os jardineiros reconhecer-se-ão entre si – porque sabem que na história de cada planta está o crescimento de toda a terra.”


Gabriel Braga

publicado por JoãoSousa às 12:50
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