Segunda-feira, 17 de Maio de 2004

Uma pequena Critica...

Estava eu perdido pelaRevista 365quando encontrei estas criticas, feitas por João MacDonald, que não resisti e passei-as para o blog, pela sua genialidade e veracidade. Espero que se divirtam tanto quanto eu me diverti.

Buda: «Não pagueis golpe com golpe, não façais ao outro o que não quereis que vos façam». Parece que já ouvimos isto em qualquer lado.
Pois era aqui que queríamos chegar. Propomos a hipótese de que as recentes atracções pelos ensinamentos zen e budistas mais não são do que um regresso ao catolicismo, mas catolicismo sem pecado. Qual é a piada? Porque, já dizia La Palisse, no pecado é que está o mal. Enquanto tudo isto acontece, o Papa vai ao México chatear o PRI, o que deu uma certa margem de manobra ao Exército Zapatista. Mas essa grande multinacional que é a Igreja Católica, essa McDonald's da alma, ainda que lutando pela igualdade humana, faz-nos o excelente favor de manter o problema da moral, para que possamos trincar o hamburguer da Santíssima Trindade (a carne picada é o Pai, o queijo é o Filho e o bacon é o Espírito Santo) e depois cantar «Pecados mais saborosos...».


por:
</i>João MacDonald</i>

Não aguentei e tive de postar outra critica desse (para mim desconhecido) João MacDonald:

Citemos Marco Paulo, em recente entrevista a uma revista popular: «O pimba veio abandalhar a música». Surpreendente afirmação, vinda de quem vem. Dir-se-á: mas quem é Marco Paulo para dizer semelhante coisa, ele que é o sumo pontíficie do pimba? Pois Marco Paulo disse-o precisamente por ser o sumo pontíficie do pimba, tal como Eurico de Melo é a reserva moral do PSD. Estranhos tempos, estes em que vivemos.
Na recente história da música popular portuguesa, Marco Paulo é um nome que se cumpriu, e cumpriu-se à custa de um cioso jogo de cintura, inimitável mas canónico, distante mas tão próximo, primário mas harmonioso. A sua história é heróica: vindo do Portugal profundo, subiu aos holofotes, foi romântico enquanto era preciso ser romântico (uma espécie de Tony de Matos das donas-de-casa dos anos 80), Herman consagrou-o (Serafim é nome de anjo e Saudade é nome de sentimento), a televisão deu-lhe um espaço nobre, Marco em si condensou uma luta cancerosa comum a tantos que nos são queridos e venceu-a, e hoje possui uma imagem impoluta.
Ora, por causa disto tudo, que será heróico para quem o quiser, mas não certamente para outros, Marco Paulo dá-se ao direito de teorizar sobre o pimba. É, portanto, um discurso meta-pimba. Essa é a síntese fulcral do estado e significado da música pimba: auferiu a si mesma uma condição transcendental. Marco Paulo tornou-se num opinion-maker paradoxal. O pimba ataca o pimba, ou seja, o pimba tem uma opinião de não-pimba, colocando-se do lado dos que pensam, por oposição aos que desconfiam de quem pensa. Onde é que, afinal, está exactamente Marco Paulo? Ele está no meio de nós.


por:
João MacDonald

Sentia falta de alguém assim!


publicado por JoãoSousa às 23:58
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1 comentário:
De Anónimo a 19 de Janeiro de 2006 às 15:26
Olá!! lembras-te de moi???? Está tudo fino? Envia o teu mail p podermos falar, gostava de te te ver. Beijocas!! brito.scottwool@hgotmail.comGisela B
</a>
(mailto:brito.scottwool@hotmail.com)


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