Sábado, 29 de Maio de 2004

A noite em que me levaste da morte à vida! I

Lembro-me de estar em casa, deitado na minha cama.
Lembro-me de olhar para o tecto fixamente, num olhar cego.
Lembro-me de sentir o meu corpo dolorosamente confortável.
Estava completamente imóvel, apático, sem nenhuma reacção. Todo o mundo poderia cair que eu não teria o mínimo reflexo. Deixar-me-ia levar com prazer, por toda a sua destruição.
Lembro-me de ter o corpo frio, mas suado.
E vejo-te na varanda, junto ao vidro. Tinhas acabado de subir pelo caleiro encostado à varanda, esse mesmo que eu passava a vida a descer quando precisava de fugir.
Via-te pelo canto dos meus olhos, e reparaste que eu estava acordado. Dirigiste-te a mim.
Ouvi-te tão longe, com uma voz tão distante que tive de me esforçar para acompanhar o teu som “Gabriel? Gabriel tu estás drogado!”.
Lembro-me de esboçar um sorriso devido àquela descoberta tão lógica. Só sob o efeito de drogas é que poderia estar assim tão morto e ainda respirar.
Então ouvi-te um pouco mais perto, mas mesmo assim a voz estava distante e eu continuava a fazer um esforço enorme para te ouvir “Hoje não vais fugir de mim!”.
Não pretendia fugir. Tal qual um defunto estava confortável naquela cama e nem força tinha para me mexer. Mesmo assim fiquei intrigado…

Gabriel Braga

publicado por JoãoSousa às 19:04
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