Sábado, 4 de Setembro de 2004

O Anticristo

– Olhemos−nos face a face. Somos hiperbóreos(1) – sabemos muito bem quão remota é nossa
morada. “Nem por terra nem por mar encontrarás o caminho aos hiperbóreos”: mesmo Píndaro, em
seus dias, sabia tanto sobre nós. Além do Norte, além do gelo, além da morte – nossa vida, nossa
felicidade... Nós descobrimos essa felicidade; nós conhecemos o caminho; retiramos essa sabedoria dos
milhares de anos no labirinto. Quem mais a descobriu? – O homem moderno? – “Eu não conheço nem a
saída nem a entrada; sou tudo aquilo que não sabe nem sair nem entrar” – assim suspira o homem
moderno... Esse é o tipo de modernidade que nos adoeceu – a paz indolente, o compromisso covarde,
toda a virtuosa sujidade do moderno Sim e Não. Essa tolerância e largeur(2) de coração que tudo
“perdoa” porque tudo “compreende” é um siroco(3) para nós. Antes viver no meio do gelo que entre
virtudes modernas e outros ventos do sul!... Fomos bastante corajosos; não poupamos a nós mesmos
nem os outros; mas levamos um longo tempo para descobrir aonde direcionar nossa coragem.
Tornamo−nos tristes; nos chamaram de fatalistas. Nosso destino – ele era a plenitude, a tensão, o
acumular de forças. Tínhamos sede de relâmpagos e grandes feitos; mantivemo−nos o mais longe
possível da felicidade dos fracos, da “resignação”... Nosso ar era tempestuoso; nossa própria natureza
tornou−se sombria – pois ainda não havíamos encontrado o caminho. A fórmula de nossa felicidade: um
Sim, um Não, uma linha reta, uma meta...

1 – Os Gregos acreditavam que no extremo Norte da Terra vivia um povo que gozava de felicidade eterna, os hiperbóreos, que nunca guerreavam, adoeciam ou envelheciam. Sem a ajuda dos Deuses, seu território era
inalcançável. (N. do T.)

2 – Grandeza.

3 – Vento asfixiante, quente e empoeirado originário de desertos. (N. do T.)

Friedrich Nietzsche

Um livro que levanta muitas questões.

Agora, por momentos, lembrei-me do Palhaço triste e do seu cavalo Furia...

Gabriel Braga

P.S: estou a pensar em mudar de morada... Este sapo anda a abusar da nossa boa vontade!

publicado por JoãoSousa às 17:45
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1 comentário:
De Wellington a 7 de Junho de 2008 às 00:00
Olá, hiperbóreos, espíritos livres, gnomos, fadas, filósofos, almas encarnadas, ateus, religiosos, céticos, buscadores dos "trabalhos do coração" (semelhantes obras eu jamais haverei de esquecer, heh-heh... -- perguntem ao meu "falecido" fiel escudeiro Carlos "Didi", vulgo "Ceará"...). P**as honestas, de sangue quente, freiras amigas, amigos dos animais -- Deus nos salve!!! --, veganos, vegetarianos, professores (e professoras...), etc: salve, salve!

Agora vou ao que interessa e digo, sem mais, a que vim: "Nietzschear" um pouco -- neste blog lusitano --, porque, ao meu julgar, quem cita Nietzsche merece ser citado. E digo mais: nada como "Humano, Demasiado Humano", "Aurora", "(Para) Além do Bem e do Mal", "O Anticristo", "Da Utilidade e do Inconveniente da História Para a Vida" e "Assim Falou Zaratustra: Um Livro Para Todos e Para Ninguém". Hoje comprei "Da Utilidade...". Logo postarei trechos -- comentados, sim, "para variar", como dizemos cá em Terra Brasilis -- da obra, uma das mais significativas que o "mestre" germânico legou à humanidade, tão sedenta -- ou não?! -- por conhecimento e, para finalizar, por -- querendo ou não --... História. Salve R. D. O. H. -- amado espírito feminino.

Abraços a todos! Salve!

--Wellington


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