Terça-feira, 17 de Junho de 2008

A última Hora

A manhã acordou raiando um sol mortiço,

E o pobre rei, mordido pela doce loucura,

Cravado pelas garras torturantes da culpa,

Jogou-se, sem lágrimas, sorrindo, à fogueira.

 

E com o grito final de quem se deixa morrer,

Apenas se alarmaram em alvoroço as cobras e

Os abutres, cientes do seu último canibalesco festim.

Monstros, sem Rei, donos de um Reino.

 

O império ficou enxuto e os aberrantes bárbaros

Governaram enfim, sem pompa, aquilo que

Sempre lhes pertenceu. Sem honra! Sem Glória!

 

A terra arruinou-se, sem alvorada, tornou-se treva.

E no amargurado escuro surgiram os corvos,

Senhores de todos os fins de Tempo! Sem Hora!

música: Cold War Kids - Hang Me Up To Dry

publicado por JoãoSousa às 20:59
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1 comentário:
De Emanuela a 18 de Junho de 2008 às 00:50
E a rainha deste reino, o que fez, o que faz? Não ajuda o pobre rei? Ou o pobre rei estava tão só que até a rainha já o abandonara?
Teus poemas sempre me deixam pensativa...
Um beijo


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