Segunda-feira, 3 de Março de 2008

...

Não me violes o corpo ainda

Sinto em mim o sangue

A queimar os últimos

Sopros de vida.

 

Espera até a treva de luz dos meus olhos,

Se esvair num imenso terror nocturno.

 

Não me violes o corpo ainda

Sinto o tremer de quem está

Para morrer.

 

Espera até parar o tremor

Que o sangue provoca ao deixar de correr.

 

Não me violes o corpo ainda

Não soltei a alma que nele

Está presa.

Por um fio.

 

Arrepio.

 

E fim.

música: The Knife - Silent Shout

publicado por JoãoSousa às 20:39
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2 comentários:
De emanuela a 4 de Março de 2008 às 00:59
Morrer não me assusta, o momento da morte sim. Tuas palavras provocaram-me um leve arrepio...O momento de olhar através do espelho deve ser terrível, enfrentar uma escuridão tão completa e esperar pela luz do outro lado!
Beijinhos com luz


De V.A.D. a 4 de Março de 2008 às 02:09
Arrepiante diálogo com a morte, o fim indeclinável aproximando-se paulatinamente, os últimos momentos sendo implorados num estertor prorrogado...

Fantástico, o texto, negro como a noite vazia morte, cheio de possantes palavras.

Um abraço.


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