Sábado, 29 de Dezembro de 2007

O Dó (Do-r, Dó-cil, Do-ença, Dó)

A dor que assola o peito de quem, num ímpeto, descobre a sua dependência física e moral pela música, é a anunciação de que não há volta a dar.

Começa como todos os frutos proibidos, primeiro pela aparência inócua, dócil e inocente que pode mostrar, provocando uma simples extasiação melodiosa, ao que depois de se provar uma primeira vez, se segue um tormento de emoções. A música é sem duvida a droga mais original e perigosa que existe, pois ela encontra-se em todo o lado e o seu consumo é demasiado permitido. Esta não possui barreiras, nem limites, nem horizontes que a parem. Não se descobre cura para quem se vicia, apenas se põem de lado os que dela se tornam fanáticos e obsessivos. Nada há a fazer…

Ela persegue-nos por todo o lado e assume todas as formas. Ela é omnipresente e omnipotente. Sabe tudo, vê tudo, consome tudo. E é imortal.

A música deixa de ser vício e torna-se doença. Tão simples é a troca de qualidades, num momento cometemos loucuras ao som da mesma, no outro padecemos tormentos imaginários que dela derivam.

Tornamo-nos assim simples passageiros para um parasita indestrutível que nos destrói até ao mais ínfimo detalhe.

E o nosso futuro acaba literalmente nas ruas, amargurados, de viola em punho, cantando alucinadas alegorias, esperando uma simples moeda para sobreviver, de alguém são que passa e nos olha com um desdenhoso Dó!

música: Low - Breaker

publicado por JoãoSousa às 18:42
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3 comentários:
De V.A.D. a 29 de Dezembro de 2007 às 23:04
A música é talvez uma das formas de expressão mais antigas da humanidade e não deixa de continuar a ser um fenómeno intrigante. A música e a fala nasceram da mesma base comum: crê-se que a linguagem dos hominídeos começou por ser uma mera vocalização (uso de vogais) das expressões corporais face a perigos (grito agudo), na exteriorização do contentamento (através de gargalhadas)... Mas a verdadeira comunicação tem mais de racionalidade do que de emotividade. À música foi deixada a parte da emoção... É por isso que "mexe" tanto connosco...
Amigo, desejo-te uma óptima noite e um ano novo cheio de musicalidade!

Um abraço.


De Emanuela a 30 de Dezembro de 2007 às 01:58
Amigo João, não me canso de extasiar-me ante tuas reflexões musicais. Sente-se perfeitamente o quanto a entendes no seu melhor e no seu pior e ainda assim a amas, sem dúvida.
Um beijinho!


De J.C. a 6 de Janeiro de 2008 às 17:56
Sem musica DOi mais !



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