Terça-feira, 2 de Outubro de 2007

A Chuva

Pingam pálidas pingas de um Piano.

Surge lentamente, como se um céu a escurecer, um Adágio de notas soltas, descompostas, como as primeiras gotas que rebentam sozinhas de um céu em alvoroço, e caem abandonadas na seca terra.

Troam trémulos trovões de um Tambor.

Rebentam de repente, num céu negro em guerra. E ao mesmo tempo solta-se a chuva, viva e rápida, tombando sobre a terra notas mais ou menos certas de uma qualquer obra musical. Um intenso Allegro abate-se sobre o piano, um polvoroso aguaceiro abate-se contra nós.

Fluem fracas nuvens de um Flautim.

Numa reviravolta, os trovões cessam, a chuva cai constantemente, numa espécie de Adante, mas no céu começa a ver-se, por entre o atenuar das nuvens, uma mescla de cor de um firmamento azul e brilhante. O piano encontra a harmonia perfeita na sua composição e deixa-se levar até à última gota embater delicadamente sobre a terra, sobre nós.

música: Antony and the Johnsons - Hope Theres Someone

publicado por JoãoSousa às 02:38
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2 comentários:
De Emanuela a 2 de Outubro de 2007 às 03:09
és mesmo um poeta dos sons... Pareces penetrar no mundo da música e deixar-te penetrar por ela. É fantástico!
Um beijinho!


De V.A.D. a 3 de Outubro de 2007 às 01:35
É uma viagem lindíssima através de padrões climáticos invulgares, onde as nuvens negras se abrem para deixar a água cair, em gotas de som, que irrigam a mente com o precioso líquido da melodia...

Um abraço.


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