Sexta-feira, 28 de Setembro de 2007

O Funeral

A morte de uma orquestra ocorre, quando em último lugar, se lançam as harpas ao desvario.


É o troar dos anjos, num arranhar de cordas celestes. Cada nota uma bala, uma faca, um canhão destruindo todos os outros instrumentos.


E sangram todos os instrumentos, como se cada corda de uma harpa fosse uma gélida agulha a penetrar a carne violentamente, sem dó nem piedade, numa endiabrada festança em que se junta um sorrisinho doloroso de prazer.


Morrem os violinos, os tambores, as tubas e os oboés.


Aí, quando as harpas entram ao despique, surge a Anunciação da derradeira verdade, a Boa Nova divina.


E por fim, num extremo final, vê-se a Assunção dos corpos dizimados, que erguem as asas ao céu e se elevam do sangrento campo de batalha.


É a cruel beleza do final de uma composição sinfónica, quando o maestro pousa a batuta e suspira depois da chacina! 

música: Mariza - Ó gente da minha terra

publicado por JoãoSousa às 00:01
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1 comentário:
De Emanuela a 28 de Setembro de 2007 às 02:07
Este é um tema para ouvidos afinadíssimos... Um grande abraço!


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