Sábado, 7 de Julho de 2007

Divagações / 14 (Em tempos de Desespero)

Em tempos de desespero, estende-se um sofá na varanda, encosta-se uma boa musica calma, e cobre-se tudo com um copo de vinho e o fumo de um cigarro.

Olha-se para o céu, seja noite ou seja dia, e de repente, fechando os olhos, voa-se.

Sai-se, disparado, por aquela imensidão azul, deixando para trás tudo o que é árduo e penoso, porque isso pesa, e num voo tão repentino e radical como o da nossa mente, não precisamos de sentimentos fúteis e humanos para nos atrapalharem.

Nesses tempos de angústia, um simples desejo de fuga é possível, como uma droga que nos consome a alma e nos dá, por momentos, verdadeiros ensejos de felicidade pura.

Passa-se de um estado cáustico para um estado de estupidez delirante e caótica onde não se conhecem horizontes, nem barreiras, nem limites.

Tudo em nós flúi nesses momentos, na imensidão vazia do céu do nosso pensamento e é aí também, que, quando menos estamos à espera, o limite da nossa imaginação nos pára e puxa para trás, porque, como a droga, tudo acaba, e então embatemos violentamente contra o sofá, onde o copo e o fumo se desvaneceram em nós ao mesmo tempo que a musica se torna desconfortável e abrimos os olhos novamente para a realidade torturante da Vida.

música: Gogol Bordello - Sally

publicado por JoãoSousa às 03:20
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2 comentários:
De V.A.D. a 7 de Julho de 2007 às 18:50
A imaginação pode-nos transportar, pontualmente, para longe das agruras da vida, mas a realidade acaba sempre por se impor...
Um texto magnífico.

Um abraço


De Emanuela a 8 de Julho de 2007 às 05:16
Este post fez-me viajar...Lembrei-me de quantas vezes me senti assim... Mas comigo não tem o copo, nem o cigarro...O que me leva são as lágrimas e o que me traz de volta é quando elas secam...
Um beijo!


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