Sexta-feira, 4 de Maio de 2007

A Santa Ignorância



Proclamaram-na Santa,

E sem duvida que merecia.

Há tanta gente no mundo

Que sofre a mesma agonia.

 

Em toda a sua longa vida,

Sempre foi enganada.

Mas nunca se apercebia,

Caía em qualquer cantada.

 

Sofria os piores enganos,

Roubavam tudo o que tinha.

Mas continuava sem perceber.

Era Burra, Coitadinha!

 

Só para servir de exemplo,

Para se ver mesmo a peça.

Um dia à sua vizinha,

Emprestou uma travessa.

E a vizinha que sabia,

Como a mulher era inocente,

Ficou-lhe com a travessa,

E gabava-se sorridente.

 

Mais grave lhe acontecia,

Quando ia pagar qualquer conta,

Os cobradores sempre mentiam

E ela pagava, a tonta.

 

Mas por incrível que pareça

Ela andava sempre contente,

E toda a gente pensava,

Que ela era mesmo demente.

 

Só o bêbedo da taberna,

Que toda a gente conhecia,

Explicou a todo o mundo,

Aquela ingénua alegria.

 

“Esta gente que abusa

Da pobre dona inocente.

Fiquem a saber que não é louca,

Nem tão pouco é doente.

Quem me dera ser a mim,

Tão puro quanto a dona Constância,

E poder viver sorrindo,

Naquela Santa Ignorância!”



Gabriel Braga
 
música: Air - Once Upon a Time

publicado por JoãoSousa às 02:35
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1 comentário:
De Emanuela a 27 de Maio de 2007 às 01:58
Ser como a criança. Inocente e feliz


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