Segunda-feira, 23 de Abril de 2007

Dama Loucura



Já desde criança

As suas travessuras

Mostravam aos outros,

As suas amarguras.

 

Filha de uma prostituta

E de um pai sempre bêbedo

Soube desde menina

O seu futuro azedo.

 

Enquanto crescia aprendeu,

A sobreviver como a mãe.

E o pai embebedado,

Aproveitava-se dela também.

 

Na sua cruel angústia,

Que sempre guardou em segredo,

Foi enlouquecendo sozinha

Até que perdeu todo o medo.

 

Um dia, já mulher feita

Enquanto o pai a violava

Agarrou num punhal escondido

E, sem uma lágrima, o esfaqueava.

 

Levantou-se, com toda a calma,

E quando viu o seu pai morto

Sentiu uma leveza na alma.

E nenhum desconforto.

 

Depois deste acontecido

Continuou a sua vida

Corria as ruas toda a noite,

Numa loucura embevecida.

 

E ficou conhecida pelo bairro,

Que sempre a via passear,

“Cuidado! Não peguem com ela,

Que ela é capaz de matar!”

 

Um velho mais atrevido,

Tentando fazer piada,

Chamou-lhe bichinho do mato

E levou uma facada.

 

Depois de muitas queixas,

Chamaram um batalhão.

Veio a policia para as ruas,

Tentando pôr-lhe a mão.

 

Mas qual quê? Ai de quem lhe tocasse!

Ela virava fera, pior que qualquer macho.

 

Depois de tanta pancada,

Ela vinha vitoriosa.

Entrou na tasca ainda armada

E cantou uma grande prosa.

 

No refrão se aperceberam

Que a musica, dela se tratava.

“Sou uma dama e sou louca,

Quem me irrita deixa-me brava.

Portanto minha boa gente,

Quem me quer tocar, antes paga!”



Gabriel Braga
 
música: Mariza - Ó Gente da Minha Terra

publicado por JoãoSousa às 21:17
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1 comentário:
De melissa.yedda a 11 de Outubro de 2007 às 02:25
Gosto muito das coisas que falas. Como nao tens escrito muito ultimamente,vez por outras cato algum post antigo. Um grande abraço, amigo!


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