Terça-feira, 30 de Março de 2004

Baloiço...

Falávamos, os dois sentados nos baloiços daquele parque.
Tu andavas dum lado para o outro enquanto eu, sentado me divertia a partir pequenos pauzinhos que encontrava no chão. Puxávamos dum cigarro e parávamos para fumar. E era nessas pausas que recordávamos quando fazíamos asneiras nas aulas, ou quando nos irritávamos um com o outro, porque querias estar atenta e eu não me calava, mas depois, quando eu me calava vinhas-me chamar para mais conversa. Quando chorávamos a rir por coisas ridículas, ou quando passávamos aulas inteiras a comer bolachas digestivas de chocolate. Quando tirávamos fotos nas aulas, aos professores, aos colegas e nos riamos com a cara dos outros. Quando criticávamos tudo e todos, quando daquela vez pusemos as mochilas de toda a gente atrás de nós, ou quando penduramos a roupa interior de toda a gente no cabide. Quando os profs nos davam sermões, nos chamavam de infantis, ou quando vinham ao nosso lado e carinhosamente nos “espancavam” dizendo que tínhamos o nome dos pais deles.
Ficamos tanto tempo a falar dessas recordações. Dos 5% importantíssimos das aulas de química, ou então dos exemplos que a Prof. de psicologia nos dava do prazer de defecar (viemos às lágrimas com as figuras ridículas da professora).
E então falamos de nós, dos nossos amigos, da nossa irmandade e recordávamos Lloret, a nossa viagem de finalistas que sempre ficará na memória, no coração, na nossa saudade…
Quando faltávamos às aulas e íamos para aquele cantinho perto do pavilhão de ginástica da escola e ficávamos a ver os outros a correr, e nós a pensar em planos para não fazermos testes…
Ainda me lembro de muitas dessas coisas, e traz-me uma mágoa imensa pensar nelas, porque quero voltar atrás e reviver tudo de novo, outra vez sem mudar nada.
E então falamos da falta que sentimos de algumas pessoas, e de outras que já partiram para o seu destino e que ainda ficaram cá dentro de nós.
E então falamos das que já nos partiram para sempre, da estupidez dessa partida, da revolta que nos trás…
Falamos também das nossas crenças, em Deus e no eterno paradoxo da sua existência e voltávamos então ao assunto da morte mas por pouco tempo. Voltavam as lembranças de tempos áureos em que mandávamos piadas estúpidas, sem lógica nenhuma e nos riamos… dos erros que cometemos, dos que estamos a cometer e do facto de não nos arrependermos de nada. Falamos da nossa liberdade, dos tempos da infância… dos nossos primeiros amores, infantis…
E passamos assim, uma hora que pareceu uma eternidade e ao mesmo tempo foi tão pouco tempo, a falar, sentados no baloiço, vendo gente a sair dos cafés… criticando aqueles “betos nojentos” com a mania das grandezas, rindo-nos dos “frustrados” que gostamos tanto, desejando poder parar o tempo para nos divertirmos, ou pelo menos faze-lo recuar para revivermos o passado que tivemos juntos.
E assim passou… sentados num baloiço… ao frio, chuviscando, esperando por boleia e riamo-nos, ficávamos sérios, voltávamos a rir…
Que saudades tenho desse tempo…

Dedicado à minha companheira dos baloiços...

Gabriel Braga

publicado por JoãoSousa às 01:15
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4 comentários:
De Anónimo a 31 de Março de 2004 às 17:30
"e quando for sombra, lembrar-te-ás de mim, depois / sem qua a minha lembrança te arda, te fira ou te mova, / porque nunca enlaçamos as mãos, nem nos beijamos / nem fomos mais do que crianças..." Fernando Pessoamia
(http://especiarias.blogs.sapo.pt)
(mailto:)


De Anónimo a 30 de Março de 2004 às 20:46
Mia... Prometo sim! Prometo baloiçar contigo, empurrar-te no baloiço, rir-me às escondidas com um olhar traquina. Prometo-te tudo isso antes de crescermos, antes de nos esquecermos um do outro... Prometo porque sei que vens comigo, prometo porque te quero comigo. E sei que manterei a minha promessa porque nunca cresceremos nem nunca nos esqueceremos, por isso nao tenho medo de vir algum dia quebrar a promessa.
Prometo...madOsiris
(http://www.unknownpoets.blogs.sapo.pt)
(mailto:madness@portugalmail.com)


De Anónimo a 30 de Março de 2004 às 15:40
quem me dera poder ser eu a baloiçar contigo...promete-me que um dia faremos isso..promete...um dia antes que seja tarde demais e o nosso baloiço pare e nao haja mais risos escondidos nem olhares traquinas...um dia antes de crescermos e nos esquecermos um do outro...promete...promete, que eu vou contigo...mia
</a>
(mailto:)


De Anónimo a 30 de Março de 2004 às 13:14
Amo-te Xugo * ñ sei + o q dizer :P mas o love q sinto por ti(pronto tinha d vir parolada...mas tá-me no sangue lol)é 1 das poucas certezas q tenho na vida @@@@@ baloiço rula lollakshmi
</a>
(mailto:)


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