Quinta-feira, 26 de Agosto de 2004

3º dia em Paredes de Coura

Depois de pouco dormirmos, incomodados com a chuva que persistia (embora fosse cada vez menos), acordamos ao som da Blackangel, que farta de estar sozinha decidiu-se a acordar-nos.
Passei mais uma vez, na companhia da Lakshmi, o dia na tenda, primeiro porque não tinha forças para me levantar, segundo porque se estava bem demais dentro do saco cama, depois duma noite “húmida” como a noite passada.
Sem sabermos tínhamos chegado ao nosso dia mais longo de Paredes. O dia que tem tanta coisa para ser contada, tanta coisa que aconteceu, que é impossível descrever tudo, relembrar tudo. Foi um dia único.
Voltando ao relato…
Elas deram-se ao trabalho de passarem o dia a passearem pelo recinto, a verem o artesenato, a verem as pessoas, a comentarem tudo como um bando de velhas (mas é obvio!!!) enquanto eu e a Lakshmi passávamos todo o dia a hibernar na tenda.
Chegou rapidamente a noite.
Saímos finalmente da tenda para ver os concertos dessa noite.
Chegamos ao recinto e Mão Morta já actuava. Ficamos extasiados com aquela música forte e bonita. Vimos todo o concerto no meio dum maralhal de gente.
Depois desse concerto, que era o único que verdadeiramente queríamos ver, fomo-nos divertir, ou seja, beber.
“Perdi-me” delas com a Waris e depois de várias cervejas já praguejamos os dois com as meninas da Super Bock, pela cerveja ser tão cara e por não haver ofertas do tipo leve 10 e pague 5. E logo depois, pegamos no nosso chapéuzinho da Optimus e começamos a cantar a musica que se tornou moda “Desculpa MEU BEM!” (música da concorrência, diga-se TMN), enquanto pedíamos dinheiro ao pessoal que a muito custo nos tinha de ouvir.
Na relva molhada encontramos a Lakshmi como sempre em “ponto morto”, junta com a Blackangel que no preciso momento em que cheguei à sua beira, ela tinha acabado de executar uma estonteante cambalhota para toda a gente que quisesse ver. Só faltou ser aplaudida, porque toda a gente a encorajou a repetir aquele feito maravilhoso.
Enquanto, sentados na relva molhada, nos riamos com as nossas figuras, noutro lado do recinto, Jaci e Shakti começavam a grandiosa obra à qual eu vou chamar “Epopeia dos Doritos”.
Muito tempo depois e juntos de novo rimo-nos todos juntos das belas figuras que fazíamos e separamo-nos novamente. Desta vez, blackangel seguiu Jaci para, as duas, se misturarem na multidão ate chegarem à primeira fila para assistirem ao concerto de Motörhead. Ficamos, então, eu a Lakshmi e a Shakti, os três, na relva, quando, vinda do nada, começa novamente a chover, e forte. Tentamos abrigar-nos como toda a gente normal até que eu tive a brilhante ideia: “Vamos para debaixo das mesas de matrecos! Esta-se bem lá!”. E o pior é que seguimos a nossa ideia, enquanto a chuva piorava. Pouco depois, e já meios molhados, mais que embriagados, decidimo-nos a ir para uma das casas de banho TOY, lá pelo menos caberíamos os três e estaríamos de pé.
Finalmente, e passado algum tempo naquele cubículo que fazia-nos revolver tudo cá dentro, a chuva parou e decidimos os três vir para a tenda, enquanto as outras duas loucas continuavam a apreciar o concerto, completamente encharcadas.
Chegados à tenda, juntamo-nos aos nossos companheiros de acampamento, os seis, numa tenda minúscula, falando (ou “aterrando”), fazendo asneiras ou ouvindo as “secas” dos outros, e foi ai, nesse mesmo local, que vi as portas da morte completamente escancaradas para mim, pois num súbito laivo de loucura, Shakti tentou asfixiar-me, tentou matar-me. SIM! A mulher que eu pensava amar-me, tentou, em frente a testemunhas, matar-me. E eu, indefeso, sem força para me defender, era levado até à morte.
Pouco depois chegaram as outras duas, cambaleando, completamente molhadas e sem pensarem em nada aterraram na tenda.
Quando nós os três, depois de muito convívio, nos decidimos a vir para a tenda onde dormíamos, eis que começa uma nova Epopeia a qual vou dar o nome de “Vou morrer de hipotermia”, protagonizada por Jaci.
(Agora vem a parte que é impossível descrever por palavras)
A rapariga, já num estado lastimável, tinha chegado à tenda, e sem se dar ao trabalho de tirar a roupa molhada, deitou-se a dormir, ainda com os pés de fora.
Foi o cabo das tormentas fazer aquela mulher despir-se e enfiar-se num saco cama. Entre berros, gemidos, gritos, fui novamente vitima, desta vez de brutal espancamento que milagrosamente não me deixou marcas profundas.
“Eu vou morrer de hipotermia”, “Ajudem-me!”, “Odeio-vos”, “Mad cala-te”, “Laka ajuda-me”, “És um amor!”, “Ai que eu vou-me mijar”, foram algumas das muitas frases que se ouviram naqueles minutos em que tentamos domar a fera da Jaci.
Depois de muito esforço para ela se vestir (para verem o estado da menina, ela não encontrava o fim da camisola), depois de muito riso, depois do pânico momentâneo de termos a tenda encharcada e desta vez não era de chuva, finalmente, e ainda com os lamurios cada vez mais raros da Jaci, conseguimos adormecer para chegarmos ao nosso quarto dia em paredes.
Para cúmulo de tudo isto, enquanto fazíamos de tudo para sossegar a Jaci que estava imparável, a blackangel não moveu nem sequer uma palha, estando completamente enrolada no seu saco-cama, encostada a um canto, a dormir. A dúvida fica no ar “Como é que ela não deu conta do que se passou naquela tenda na sua presença???”
(Vejam o tamanho do texto e tentem imaginar na vida real…)

Gabriel Braga

publicado por JoãoSousa às 03:09
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3 comentários:
De Anónimo a 30 de Agosto de 2004 às 01:06
LOOOOOOOOL eu ia mesmo morrer hipotermica!;_; bigada mulhe salvast m. amut muito :)

mad perguntei a fontes segurissimas a musica e desculpe uaue (qq coisa assim).q quer dizer desculpe a confusao!!
fontes brasileiras :P

AMUVOS IRMANDADE jaci
</a>
(mailto:)


De Anónimo a 28 de Agosto de 2004 às 14:33
Gostei mt de Mão Morta :) o resto da noite...LOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOL.Beijos e arrobas po meu sugo djinnado,pa minha amantezola habibi,pa minha mocega cambalhota,pa minha mulhé dorita e pa minha noiba fillet panné. lakshmi
</a>
(mailto:)


De Anónimo a 26 de Agosto de 2004 às 20:47
dia lindo esse..adorei mao morta :)) ja sabs q qd eu adormeço sou cm os bebes eheh @@blackangel
</a>
(mailto:)


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