Quinta-feira, 23 de Setembro de 2004

Os Pais fugiram de casa! II

Não acreditava no que tinha acabado de ouvir. O meu irmão depois de ver o meu choque, começou a rir-se como um louco, não sei se ria de prazer ou de nervosismo. Sei que corri novamente para o corredor e peguei na carta. Corri para o quarto dos meus pais, impecavelmente limpo, imaculadamente arrumado, e sentei-me na cama enquanto lia a carta.

“Filhos.
Vamos começar a nossa vida de novo.
Desculpem…
Dos sempre vossos: Pai e Mãe”


Olhei em volta à procura não sei de quê.
Só podiam estar a brincar comigo certamente. Pensei que era uma partida qualquer, que queriam assustar-me. O meu irmão subia as escadas e espreitou pela porta do quarto:
- Então maninho, ficas com o quarto dos pais e eu fico sozinho no nosso quarto? Ou queres continuar a dormir no nosso quarto e passo eu para aqui? – E sorriu.
Com aquela frase surgiu uma possível explicação para o desaparecimento dos meus pais. Perguntei baixinho:
- O que fizeste aos pais? – O meu irmão parou de sorrir, entrou e fechou a porta. Olhou-me com um olhar assustador e disse-me para repetir. Voltei a perguntar mas com o medo a minha voz saiu mais fraca ainda.
- Eu tinha lá alguma razão para fazer alguma coisa aos pais? – Gritou-me ele – Que raio de pergunta é essa? Achas mesmo que eu tinha coragem! Tu tas parvo?
Pedi-lhe desculpa. Realmente não tinha razão na minha suspeita. Ele sorriu e sentou-se na cama ao meu lado:
- Por outro lado, pensando bem, tu é que andavas chateado com eles maninho… – E calou-se sorrindo. “Eu não fiz nada!” – gritei-lhe e ele riu-se ainda mais. – Eu sei maninho, eu sei! Tens de te convencer que eles fugiram mesmo, que eles certamente não voltam, que estamos sozinhos nisto mais a Bia. E temos é de pensar num jeito para sobrevivermos. E peço desculpa por me ter rido como um louco e por estar tão calmo. Acho que ainda não percebi o quão real isto é. – Abraçou-me.
Tinha tantas perguntas para fazer, tanta confusão na minha cabeça, mas ainda não acreditava totalmente que os meus pais tivessem fugido por isso deixei-me estar calado, abraçado ao meu irmão, com a carta na mão.

Gabriel Braga

publicado por JoãoSousa às 17:10
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