Terça-feira, 30 de Março de 2004
Liberdade

Há uma coisa.... Não me lembro do nome... Há uma coisa chamada.... Liberdade?
Gabriel Braga
Baloiço...
Falávamos, os dois sentados nos baloiços daquele parque.
Tu andavas dum lado para o outro enquanto eu, sentado me divertia a partir pequenos pauzinhos que encontrava no chão. Puxávamos dum cigarro e parávamos para fumar. E era nessas pausas que recordávamos quando fazíamos asneiras nas aulas, ou quando nos irritávamos um com o outro, porque querias estar atenta e eu não me calava, mas depois, quando eu me calava vinhas-me chamar para mais conversa. Quando chorávamos a rir por coisas ridículas, ou quando passávamos aulas inteiras a comer bolachas digestivas de chocolate. Quando tirávamos fotos nas aulas, aos professores, aos colegas e nos riamos com a cara dos outros. Quando criticávamos tudo e todos, quando daquela vez pusemos as mochilas de toda a gente atrás de nós, ou quando penduramos a roupa interior de toda a gente no cabide. Quando os profs nos davam sermões, nos chamavam de infantis, ou quando vinham ao nosso lado e carinhosamente nos espancavam dizendo que tínhamos o nome dos pais deles.
Ficamos tanto tempo a falar dessas recordações. Dos 5% importantíssimos das aulas de química, ou então dos exemplos que a Prof. de psicologia nos dava do prazer de defecar (viemos às lágrimas com as figuras ridículas da professora).
E então falamos de nós, dos nossos amigos, da nossa irmandade e recordávamos Lloret, a nossa viagem de finalistas que sempre ficará na memória, no coração, na nossa saudade
Quando faltávamos às aulas e íamos para aquele cantinho perto do pavilhão de ginástica da escola e ficávamos a ver os outros a correr, e nós a pensar em planos para não fazermos testes
Ainda me lembro de muitas dessas coisas, e traz-me uma mágoa imensa pensar nelas, porque quero voltar atrás e reviver tudo de novo, outra vez sem mudar nada.
E então falamos da falta que sentimos de algumas pessoas, e de outras que já partiram para o seu destino e que ainda ficaram cá dentro de nós.
E então falamos das que já nos partiram para sempre, da estupidez dessa partida, da revolta que nos trás
Falamos também das nossas crenças, em Deus e no eterno paradoxo da sua existência e voltávamos então ao assunto da morte mas por pouco tempo. Voltavam as lembranças de tempos áureos em que mandávamos piadas estúpidas, sem lógica nenhuma e nos riamos
dos erros que cometemos, dos que estamos a cometer e do facto de não nos arrependermos de nada. Falamos da nossa liberdade, dos tempos da infância
dos nossos primeiros amores, infantis
E passamos assim, uma hora que pareceu uma eternidade e ao mesmo tempo foi tão pouco tempo, a falar, sentados no baloiço, vendo gente a sair dos cafés
criticando aqueles betos nojentos com a mania das grandezas, rindo-nos dos frustrados que gostamos tanto, desejando poder parar o tempo para nos divertirmos, ou pelo menos faze-lo recuar para revivermos o passado que tivemos juntos.
E assim passou
sentados num baloiço
ao frio, chuviscando, esperando por boleia e riamo-nos, ficávamos sérios, voltávamos a rir
Que saudades tenho desse tempo
Dedicado à minha companheira dos baloiços...
Gabriel Braga
Segunda-feira, 29 de Março de 2004
...

Ainda conseguimos encontrar algo de belo neste mundo... mas cada vez temos que procurar mais...
Domingo, 28 de Março de 2004
The Devil...

"Tu realmente acreditas que um homem pode suportar a totalidade do fardo do pecado?
Eu digo-te, nenhum homem pode carregar esse fardo.
Ele é pesado demais.
O resgate das almas é custoso demais.
Ninguém.
Jamais.
Não.
Nunca.
Quem é o Teu pai?...
Quem és Tu?"
The Devil in
The PassionUm Demónio tão angelical, tão ingénuo... Agora percebo porque caimos tao facilmente na sua tentação.
Sábado, 27 de Março de 2004
A Resposta
Devolvi a rosa-dos-ventos que Camila me tinha desenhado na sua carta. Resolvi dar a resposta ao seu apelo de me ajudar o mais rápido possível, pois assim saberia que não voltaria atrás na minha resposta, nem ela voltaria atrás na sua oferta.
Passei a noite a tentar justificar a minha opção mas não encontrava nenhum argumento valido para tal escolha.
Estava no meio da aula e pedi ao meu colega da frente para lhe passar, pois não conseguia, não tinha coragem para ir directamente falar com ela, não suportaria os seus olhos meigos a olhar para mim, as suas mãos quentes tocarem na minha cara.
Ela recebeu o bilhete e olhou para trás, para mim enquanto eu desviava o olhar e sorriu.
Não quero que sejas o meu Norte. O Norte é sempre muito frio e eu preciso de calor.
Não quero que sejas o meu Sul. O Sul é demasiado longe e eu não tenho força para andar.
Não quero que sejas o meu Este. O Este é demasiado cheio, e eu preciso de estar só.
Não quero que sejas o meu Oeste. O Oeste é demasiado grande e vago. Perderia-me em si facilmente.
Quero apenas que sejas o meu Centro, para saber sempre onde estou e que caminhos posso tomar.
Olhou novamente para trás, com um sorriso enorme no rosto e desta vez esperou que eu olhasse para ela e quando olhei, baixinho ela disse-me Serei certamente o teu centro.
Alexandre olhou-me e perguntou-me o que se passava. Ele, que sempre fora o meu centro estava agora a ser trocado
mas era para o seu bem
Gabriel Braga in As Cartas de Gabriel
Porquê?
INCÊNDIO
Fogo do Sameiro terá origem criminosa.
Um incêndio com três frentes lavrou na Serra do Sameiro, em Braga. No local estiveram oito corporações de bombeiros. Tudo indica que foi fogo posto.Continuo sem perceber porque fazem isto...
Sexta-feira, 26 de Março de 2004
Dia seguinte

"Eu posso-te ajudar!" Disse-me Camila, na carta Será que te posso ajudar? Estou preocupada contigo. Eu não vou deixar que o meu anjo Gabriel se perca
Se for preciso, eu desenho-te uma rosa-dos-ventos.
Que nobre gesto o de Camila.
Mandou-me uma carta dizendo-me isso. Senti-me tão bem quando a li.
Sabia que aquela menina de tranças, que poucas vezes me falava, mas muitas vezes me mirava de soslaio, e sempre que estava comigo me contava histórias, belas histórias
Sabia que ela estava atenta a mim. Mas não sei se ela me consegue ajudar. Conheço-a tão bem para saber a sua enorme força, mas também conheço a sua extrema fraqueza. E que crime eu cometeria se a magoasse também.
Agora deparo-me com a dúvida de aproveitar este gesto para me ajudar e certamente magoa-la, ou então continuar perdido e deixa-la viver. A minha parte racional está fortemente afectada, mas acho que a escolha é fácil demais
Gabriel Braga in
As Cartas de GabrielPara a menina que me desenhou a rosa-dos-ventos
Quinta-feira, 25 de Março de 2004
Perdido...

Perdi-me outra vez!
Perdi o meu equilíbrio interno e tudo descambou totalmente.
A minha loucura, tão bem controlada dentro de mim, soltou as correntes que a prendiam e tomou conta do meu corpo.
Já magoei muito os meus amigos com a minha loucura exacerbada, e corro perigo de me magoar também.
A minha parte racional que sempre fora muito boa, foi muito afectada e tudo o que tenho de bom dentro de mim está a desvanecer rapidamente. Como poderei sobreviver? Como poderei ser ajudado?
Gabriel Braga in
As cartas de Gabriel
Quarta-feira, 24 de Março de 2004
Caminhos...
Hoje perguntei "Será que os nossos caminhos, alguma vez se irão cruzar outra vez?..."
Responderam-me suavemente, no seu jeito angelical, como se me acalmasse "Se já se cruzaram tantas outras vezes, nada impede de se cruzarem outra vez... Até esse dia."
Gabriel Braga
Waris

Waris Dirie, traduzido significa Flor do Deserto e que bem acenta o nome a esta mulher, que como a triste flor que nasce no deserto e tenta sobreviver à aridez e às fortes dificuldades que o deserto apresenta, ela também lutou e ainda luta contra os preconceitos, contra a estupidez e por mais dificuldades que passe, leva sempre um sorriso, um olhar brilhante com ela.