Quarta-feira, 23 de Abril de 2008

...

Ai! Eu não sei

Que artes ou feitiços tens,

Que em toda esta historia,

Quem cai na derrota sou eu e não tu.

Que não deixas cair a máscara,

Deixas-me sim à rasca,

Sem o menor dos receios e com piores devaneios,

Pois finco-me na esperança,

De te roubar a vingança

E usá-la a favor de mim.

 

Ai! Não sei que faça,

O que diga, no que se passa,

E o que mais me intriga em ti, sou eu

E o facto de ser teu, sem menor das emoções.

Vá! Liberta-me, dá-me a ressaca,

Que vício já és tu e basta.

E mais, eu digo: Acabará em desgraça.

Digo eu, dizes tu e os outros que vivem cá,

Nesta encruzilhada que se arrasta.

 

Ai! Confuso? Que aquilo que escrevo,

Já não se dá uso. É abuso.

Inexplicável? Imperceptível?

Com um timbre galante e afónico

De palavras que não rimam,

Nem sequer significam,

A não ser (obvio) para mim?

 

Pode ser que talvez um dia,

Quem sabe por alegria,

Ou por desalento da história,

Se me venha a dar a gloria,

De virar conhecido, admirado, enriquecido.

Fantástico poeta incompreendido!

Espero então aí que alguém me acompanhe,

Sem já haver quem me estranhe,

A mim e a estas palavras.

 

Ah! E num típico final,

Nada melhor que o banal,

Que a pergunta trivial,

Em rima fácil e sem estar certa,

Que desta alma se alerta:

Quem e dos quais falarei eu?

Se do mais mesquinho, ou mais ousado?

Se do que berra, ou do que está calado?

Daquele que me olha e me assobia?

Ou daquele reles que me injuria?

 

(A verdade, após o final,

É que me fica até mal, dizer que falo de mim,

E quem me persegue enfim,

Dentro de minha pobre alma).

 

E pois então, o que não me apetece,

É acabá-lo. Não! Sem finais nem inícios,

Nem com leves resquícios

De pura lucidez, mas sim malvadez,

De perder a consciência, e usar palavras caras,

Para apresentar-me a mim, como uma ave rara,

Sem nexos, nem coerências.

Apenas com a inocência de gostar do que escrevo

(e que me seja permitido este atrevo).

 

Mas a verdade é que o assunto,

que me fez perder nas linhas

já tão longe definha,

e eu por aqui ainda vou.

Mas não continuo,

Calo-me num amuo, e calo-te a ti também.

E a ti, que sei bem, que mesmo em silêncio,

Me azucrinas, me tiras do sério,

Me levas ao despautério

De apagar tudo em cima,

Pisar a mina e ver tudo voar,

Em pedaços, em estardalhaços de espantar.

 

Cabum!

(explode tudo em alvoroço, e o pobre sente-se tonto, quando se olha de longe e se apercebe que a cabeça, se ajunta aos pés, e as mãos, bem longe, tacteiam o tronco que não reconhecem como seu, mas pronto. Haveria mais alguém?)

música: Freeworm - Rumbling in the Sun

publicado por JoãoSousa às 02:03
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1 comentário:
De Emanuela a 23 de Abril de 2008 às 02:22
Ah, que eu tinha saudades de ler-te assim: poeta , amalucado, apaixonado...és até mesmo um sofredor, mas quem não sofre( são poucos) por amor?
Beijinhos


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