Domingo, 28 de Outubro de 2007

A outra face

A música pode tornar-se

mesquinha,

hedionda,

cruel.

A música pode tornar-se

dolorosa,

doente,

demente,

vil.

A música pode tornar-se

mundana,

bastarda,

nojenta,

patética.

A música pode tornar-se

suja,

repulsiva,

nauseabunda.

A música pode tornar-se em

suicídios,

assassínios,

genocídios.

A música pode tornar-se

meretriz,

víbora,

mórbida.

A música pode, de um momento para outro, no coração de alguém enfermo, instalar-se como

um vírus,

uma praga,

um cancro

que consome tudo à sua volta, que se apodera de tudo e que traz consigo uma destruição maciça de um ser.

A música pode tornar-se um respirar imundo de um fundo de um esgoto. Uma inútil e absurda vontade de

fazer mal,

de destruir,

de arrancar,

de amputar,

de aniquilar,

sem um mínimo pingo de remorsos.

A música pode acabar com tudo de bom, tão simples quanto uma bomba, pode levar

à loucura,

à imbecilidade,

à escravidão narcisista

de um miúdo estúpido e egocêntrico que só pensa em si e no seu mundinho autista e insensível.

A música pode, de repente, cortar pela raiz todos os possíveis sentimentos de alguém. A música pode acabar numa complexa patologia mental inventada para dar um nome à desgraça de ver alguém que se autodestrói.

E a música

demole,

arruína,

desfaz,

abate,

anula,

mata.

música: The Shins - Sleeping Lessons

publicado por JoãoSousa às 19:12
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2 comentários:
De Emanuela a 28 de Outubro de 2007 às 19:29
Sim! A música é algo com tanto poder sobre o ser humano, que pode sim, tornar-se tudo isto. Tanto é, que usada em meio ás orações, pode elevar nosso espírito a um extase profundo. Conhecendo o poder que ela exerce sobre o ser humano, também o mal quis utilizar-se dela. Mas é tudo assim: toda moeda tem duas( ou mais)faces. Há que se saber escolher o bem!
É por isto que gosto de ler-te. És sempre surpreendente.Um beijinho, amigo.


De V.A.D. a 28 de Outubro de 2007 às 20:04
Existe sempre uma faceta obscura e negativa em tudo aquilo que nos rodeia. A música, sendo um caminho directo para as emoções mais profundas, pode transtornar ou enlouquecer, da mesma forma que extasia e maravilha... Pode também ser viciante, e os vícios corrompem...
O teu artigo é surpreendente, pela abordagem que fazes ao outro lado de uma arte fantástica.
Bom final de domingo!

Um abraço.


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