Terça-feira, 12 de Abril de 2005

Quinta Feira

Quinta fui trabalhar bem cedo.
Quando cheguei a casa para almoçar estava a vizinha a falar com a Rita muito baixo na cozinha. Cochichavam alguma coisa e calaram-se quando eu entrei.
“Tens aqui o Sal, Maria! E claro que os meus filhos vão à festa do Ricardinho no sábado!” disse a Rita, entregou o sal à vizinha e esta foi-se embora sem falar comigo.
Mulher antipática que ela é. O marido dela não a põe na linha!
Perguntei à Rita do que falavam. Respondeu-me que era sobre a festa do Ricardinho e continuou despachada a pôr o jantar na mesa.
Mas não me engana a mim. Não engana não. Mas eu estava bem disposto e preferi não ligar.
Sentei-me na cabeceira da mesa, a Rita foi chamar os miúdos e começamos a comer finalmente.
Estava muito silêncio. Os miúdos mal comiam e a Rita não falou durante todo o jantar.
Ainda tentei falar com os miúdos sobre o dia deles na escola mas eles mal falaram. “Raio de miúdos mal-educados” e notei um olhar que a Rita lhes fez sorrateiramente. Estavam a conspirar contra mim certamente.
Mandei-os para o quarto sem comer. Se não queriam comer, não precisavam de estar com aquelas trombas ali à mesa.
“Deixa os miúdos em paz!” disse-me a Rita, muito seca, enquanto levantava a louça da mesa.
“Ai! Ai! Ai! Que eu vinha tão bem disposto e vocês estão-me a deixar cego!”. Senti-a a estremecer enquanto pousava a louça na banca.
Saí da cozinha antes que me irritasse mais. Fui ter com os meus amigos do trabalho, ao café da esquina. Estava a precisar de conviver. A vida em casa é sempre muito pesada e cansativa.
Voltei para casa já passava da hora.
Custou-me subir as escadas. Estava muito escuro e os brinquedos continuavam espalhados pelos degraus. “Merda para os miúdos! Eu não os eduquei assim!” Berrava eu enquanto subia as escadas.
Entrei no meu quarto e ela já dormia. Ou fingia que dormia porque lhe apanhei um olho aberto que ela fechou logo.
Custou-me a tirar a roupa porque as mãos não me obedeciam. E Deitei-me.
Agarrei-a pela cintura e puxei-a para mim. “Quero ter sexo contigo Rita! Acorda!” disse-lhe enquanto a abanava, mas ela não se mexia. Abanei-a com mais força e disse mais alto “Quero ter sexo contigo Rita!”.
Ela deitou-se de barriga para cima sem dizer uma palavra. “Que mulher fria” pensava eu. Levantou a camisa de dormir e virou a cara para o lado enquanto me punha em cima dela.
Já não gosto de fazer sexo com ela. Já não me excita como antes, já não brinca comigo como brincava, nem se excita quando estou dentro dela. “Está fria o raio da mulher” pensava eu enquanto lhe dava com mais força.
Acabei de me satisfazer e deitei-me cansado. Ela virou-se novamente e permaneceu quieta. “Que mulher morta” pensava eu. Ia perguntar-lhe o que tinha, mas já sabia que não me ia responder, ia fingir que dormia e então nem me dei ao trabalho.
Adormeci ainda a pensar porque era tão frígida.


Gabriel Braga

publicado por JoãoSousa às 00:42
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2 comentários:
De Anónimo a 12 de Abril de 2005 às 16:29
bem mas q historias!era tudo o q n keria pa mim e mt menos deixva q alguem me tocasse assim dessa maneira!bem..infelzimente ha mta gente c esse tipode vida..beijokas.andrye
(http://andrye.blogs.sapo.pt)
(mailto:andrye@sapo.pt)


De Anónimo a 12 de Abril de 2005 às 08:00
Quanto á minha resposta ao teu comentário. Há males que vêm por bem, embora eu não acredite. O que não nos mata, torna-nos mais forte. Sei que vou levantar, mas por enquanto ainda estou no chão.DiaBoliK AnGel
(http://diabolikangel.blogs.sapo.pt)
(mailto:amff@iol.pt)


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