Terça-feira, 19 de Dezembro de 2006

Cemitério de Pianos



Numa Lisboa sem tempo, entre Benfica e o centro, nascem, vivem, sonham, amam, casam, trabalham e morrem as personagens deste livro. No ventre de uma oficina de carpintaria aninha-se o cemitério de pianos, instrumentos cujo mecanismo, à semelhança dos seres que os rodeiam, não está morto, encontrando-se antes suspenso entre vidas. Exílio voluntário onde se reflecte, se faz amor, lugar de leituras clandestinas, espaço recatado de adúlteros, pátio de brincadeiras infantis e confessionário de mortos, é o espaço onde se encadeiam gerações.

Os narradores – pai e filho –, em tempos diferentes, que se sobrepõem por vezes, desvendam a história da família, numa linguagem intercalada de sombras e luz, de silêncio e riso, de medo e esperança, de culpa e perdão. Contam-nos histórias de amor, urgentes e inevitáveis, pungentes, nas quais se lê abandono, violência doméstica e faltas nem sempre redimidas que, no entanto, acabam por ser resgatadas pelo poder esmagador da ternura e dos afectos. Falam-nos de morte, não para indicar o fim, mas a renovação, o elo entre as gerações e a continuação: o pai – relação entre dois Franciscos, iguais no nome e no destino, por um gerado, do outro genitor – nasce no dia da morte desse primeiro Lázaro; o filho, neto do seu homónimo, morre no dia em que a sua mulher dá à luz.

José Luís Peixoto oferece-nos um texto mágico, no qual se cruzam, numa interacção fluida, diálogos cúmplices com a grande tradição da literatura portuguesa e universal.

música: Dusty Springfield - The Windmills of Your Mind

publicado por JoãoSousa às 13:05
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3 comentários:
De Carlos Tavares a 21 de Dezembro de 2006 às 11:27
UM SANTO NATAL E QUE 2007 SEJA DE FACTO UM "ANO ÍMPAR"... :-)


De Filipa a 26 de Dezembro de 2006 às 01:01
Recebi neste Natal... estou desejosa de começar a ler :) Um Feliz Natal *


De Rogério a 9 de Fevereiro de 2007 às 23:57
Teu texto dá uma boa idéia do livro e acho que por isso correu a internet. Só não concordo com a frase inicial pois o livro é bem datado no início do Século XX. Franciso Lázaro, corredor português, realmente morreu nos jogos olímpicos de Estocolmo. Acho que essa referência direta a um sujeito histórico valoriza ainda mais a recriação de Peixoto.


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