Terça-feira, 15 de Março de 2011
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música: Radical Face - Welcome Home
Quinta-feira, 10 de Março de 2011
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Perdi-me Deus!
E perdi-me sem jeito de me reencontrar outra vez. é normal que a saudade de quem eramos, nos pode arrebatar o coraçao como se nos violentassem aos pontapés, bem fortes e pesados até fazerem sangue?
É normal que de tudo, que no passado, se previa em sonhos para o meu futuro, agora no presente, que outrora senti futuro, se venha tudo a desmoronar em fantasias.
Não estou bem. Não estou feliz. Não estou completo. Porra! Que de tanto procurar, fiquei enebriado com todas as descobertas que deixei de ver os meus objectivos. Até que os perdi. Perdi-os a todos, e agora na cabeça so ficam destroços de sonhos que um dia embatem contra os olhos e me fazem ficar nauseado por não ter conseguido.
Eu não consegui. E pior. Não consigo. Não consigo erguer-me e seguir a fundo. Pegar nos destroços e cola-los e formar um futuro, conforme o que queria, o que quero e o que quererei para mim.
Não tenho forças. Não tenho vontade nem coragem para me levantar outra vez. As nódoas negras na cara e no coração apertam-me a ansia de viver. Vou-me deixar estar no chão.
Quieto.
Incerto da vida ou da morte ou do chão frio em que repouso. Preciso de descansar. E descansar é fugir. É deixar a cabeça fugir. É deixa-la viajar para longe, para onde ninguém esteja acima dela, nem a encrave, nem a prenda, nem a maltrate. O corpo que durma, que se deixe estendido no chão, que morra.
Terça-feira, 15 de Junho de 2010
Às vezes
Às vezes encravamo-nos ao tentar ajudar.
Às vezes mutilamo-nos ao tentar ajudarmo-nos.
Às vezes corre tudo mal, quando fazes tudo para o melhor.
Às vezes…
Às vezes atiramos pedras e elas fazem ricochete. E acertam-nos em cheio.
Às vezes esfaqueamos costas e nem reparamos que nos olhamos a espelhos.
Às vezes, descobrirmo-nos é matarmo-nos. Saber quem somos é desconhecermo-nos. Sentir algo é estar moribundo e inerte e sem força e cansado e baralhado e assustado.
Às vezes assustamo-nos sem culpa. Às vezes assustamo-nos com culpa. Às vezes assustamo-nos por termos nascido assustados. Às vezes.
Às vezes a vida devia ser fácil, mas dificulta-se, dificultamos, dificultam-nos.
Às vezes a vida é vida e às vezes é morte, e às vezes nem real é.
música: Florence & The Machine - Falling
Segunda-feira, 14 de Junho de 2010
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Não consigo sequer olhar para uma folha de papel em branco agora.
Incrível a ironia que ao querer encontrar-me, forcei-me a isso.
E que ao encontrar-me renunciei a muito de mim.
A muito de mim mesmo.
A tudo de mim.
música: Arcade Fire - Neighborhood #1 (Tunnels)
Sexta-feira, 1 de Janeiro de 2010
Lhasa

(27 Setembro 1972 - 1 Janeiro 2010)
música: Lhasa de Sela - De Cara a La Pared
Sexta-feira, 18 de Dezembro de 2009
Balanço Anual
Repare-se que me perdi da escrita nos dias seguintes à explosão da paixão, que sucumbiu em mãos quentes e suadas sobre mim, no cubiculo de sempre, entre fumos e outros acessórios que despertam as mentes. E apercebi-me que escrever me deixa triste, ou a tristeza é que me faz escrever.
E então deixei-me levar, abandonando este destino, seguindo outros caminhos, aprendendo outras coisas senão escrever.
Mas agora, finda o ano, e cai-me de subito a consciência culpada de quem abandona algo que é seu, e o deixa a mercê dos agouros do mundo. Aquilo que se deixa para trás sem merecer, volta mais tarde para nos atribular o espirito e quando acordamos dos sonhos lindos de amores e loucuras, levamos um valente estalo de culpa e vergonha por aquilo que deixamos, e era nosso.
Apaixonei-me, enamorei-me, perdi-me por tantos acontecimentos novos que me desleixei completamente. Não devia ter parado de escrever, Nunca! Porque, ao contrario do que pensava o escrever lava-me a alma e leva-me a tristeza, cravando-a em folhas únicas e que se escondem em gavetas fundas. E para mim a escrita sempre foi uma forma de arte triste e melancólica, sem modos de gargalhadas e finais alegres.
Querendo ou não sou um poeta e então sou triste, escrevendo. Querendo ou não tornei-me um apaixonado e então sonho, sorrindo. Agora vou tomando consciencia, vou vendo o que posso remediar e quem sabe, os conseguir juntar numa arte simples e pura em que os sentimentos bamboleiam como a vida. Puros, Simples, Sentidos.
música: M. Ward - Where you there?
Domingo, 7 de Junho de 2009
Soneto débil
Tenho, como objectivo final da causa defendida,
A tentativa (quase certeira de falhanço)
De conseguir agarrar a felicidade por instantes,
E deixar-lhe a marca da minha existência.
Faltam-me porém, os motivos que normalmente
Exaltam febrilmente a alma do homem, e o
Impulsionam para a frente. Chamam-lhe força
Ou vontade, mas não a conheço nem a vejo.
Então, embalo-me nas cantigas do tédio e do
Desassossego e deixo-me andar moribundo,
Pelas entranhas inúteis da sobrevivência.
Calha-me a sorte de saber os horizontes,
Solta-se o infortúnio de não possuir o meu corpo
E mata-me o conhecer o fracasso da minha missão.
música: Yeah Yeah Yeahs - Zero
Sábado, 18 de Abril de 2009
One Night Stand

Saia daquele beco apertado e fumarento, ainda com sabor da cerveja a escorrer-me pela garganta, e caminhava para o carro com vontade de ir para casa e não voltar mais.
Mas entretanto os teus olhos fixaram os meus e nesse instante em que caminhavas em direcção a mim, toda a minha memória se esforçou para relembrar os olhares que me atiravas ainda lá dentro, no meio da confusão, aquando te tocava sem querer ao descer as escadas onde estavas a fumar um cigarro.
Incrível como o poder das memórias trémulas e confusas fizeram também os meus olhos fixarem em ti e seguirem os teus passos, o movimento do teu corpo, o penetrante dos teus olhos em mim, seguindo também os meus passos, o movimento do meu corpo, os meus olhos colados em ti.
E cruzamo-nos sem proferir palavras, nem sentimentos, nem qualquer emoção a não ser um sorriso que me escapou violento. E depois seguimos, cada um em direcção oposta ao outro, mas ainda com os pensamentos toldados em nós os dois.
De repente, sem querer olhei para trás. Algo me puxou, ou me obrigou a olhar-te de trás, a ver se olhavas também, na esperança talvez de podermos não seguir caminhos opostos, mas seguir simplesmente o mesmo.
E lá, naquele instante em que me virei para trás, voltei a ver o teu olhar, o teu rodar de cabeça, o teu instinto semelhante ao meu, de não me perder de vista. Contentei a minha alma, acalmei o coração, preparei o corpo e mais um sorriso me fugiu enquanto voltava a cabeça para a frente e voltava ao meu caminho.
Podias ter-me seguido. Queria que me tivesses seguido, ou então meramente um sussurro ou um piscar de olhos, ou até mesmo um sorriso em resposta aos meus fugitivos.
Mas não. Seguimos os dois, opostos.
Fica agora na memoria, a ideia desordenada da tua cara e dos teus olhos, a vontade de voltar a ver-te e o desejo de coragem para largar os olhares e avançar-me simplesmente em ti.
música: Suckers - It Makes Your Body Movin'
Domingo, 8 de Março de 2009
Ressurreição
E acordemos então.
Enchamos o peito de ar, e respiremos fundo.
Avizinha-se um novo dia, uma nova aurora, um novo tempo.
É hora. É agora. Já! Inspira e acorda. Abre os olhos, levanta-te. Acorda.
Já se passa há muito a hora da tua morte. É hora de voltares à vida!
E apressa-te, que o dia já espreita e a noite não tarda.
O tempo urge e escasseia.
música: The kills - No Wow
Terça-feira, 6 de Janeiro de 2009
A escrita
Paro!
Porque parar fez-me ver o que de mim se escapava por entre linhas mal escritas e borrões de canetas que não sabiam o que estavam a fazer.
Mas apercebi-me, no levantar de um novo ano que o que me libertou enfim, da profunda tristeza que tenho em mim, foi nada mais que a simples perda de vontade de escrever.
Sim! A escrita, tão pobre e inocente escrita é que me arruinou as ideias e me toldou o pensamento e então a realidade misturou-se com a ficção e tudo se baralhou e entretanto, para me exprimir e respirar só restava a escrita. Coitada e débil escrita.
Um escape. Apenas um escape foi a minha escrita. O único escape. O real escape. A escrita. Forte, dura, revoltada escrita que me levava em ambições maiores que a própria depressão. Não chegavam as lágrimas ao fim do dia, tinha de haver escrita. Tinha de me exprimir, de me mostrar, de chamar a atenção, e nada melhor que a escrita.
Por isso paro!
Porque parar me deixa sorrir, me deixa distraído e com tempo. Sem lágrimas, nem escapes, nem revoltas, durezas e coitadas letras confusas em papeis que nada sentem.
Paro, porque não são as folhas aquelas que me ajudam, são sim aquelas que prendem ainda mais a solidão, a tristeza, a inquietude que tenho agarradas a mim.
Paro!
De escrever, paro.
música: Beirut - St. Apollonia